Trilhas de ótimo ‘esforço-benefício’
Alguma disposição e preparo físico razoável são os únicos requisitos necessários para enfrentar uma trilha em Noronha. No mais, só há facilidades: os caminhos estão bem sinalizados (poucos exigem os conhecimentos de um guia local), há percursos facílimos e outros estilo X-Games; alguns levam menos de uma hora, enquanto em outros é melhor reservar uma tarde inteira. Mas todas as trilhas têm um ponto em comum: seus mirantes revelam paisagens no estilo quebra-queixo.
Talvez a de melhor relação esforço-benefício seja a Trilha dos Golfinhos, com direito a uma (grande) esticada até a Baía do Sancho. Prepare-se para os primeiros 500 metros, do ponto de apoio até o mirante: uma lama só. Se na noite anterior tiver chovido, o trecho pode estar parcialmente interditado. E cuidado com as poças, para não deixar o tênis ou o chinelo pelo caminho.
No Mirante dos Golfinhos há placas explicativas sobre a estrela local e, de prontidão, um técnico do Ibama, que empresta os binóculos para quem quiser conferir os cetáceos. Os golfinhos, caprichosos, costumam aparecer por ali com os primeiros raios de sol (lá pelas 5 horas). Se você tiver disposição, vá em frente.
Dali, são 2,2 quilômetros até a Baía do Sancho. Mais lama e algumas subidas e descidas escorregadias trazem algum desafio a quem não está lá muito acostumado a se equilibrar sobre as pedras. Pare muitas vezes pelo caminho para fotografar o Sancho de vários ângulos (são pelo menos três mirantes).
E, ali, claro, enfrente as escadas na falésia - 26 degraus de ferro encravados num espaço mínimo em que mal cabem o turista e sua mochila, e outros 175 degraus de pedra, para deixar qualquer joelho em frangalhos - para descer ao paraíso. O melhor da história: você não precisará voltar todos os quilômetros para chegar ao ponto de apoio; do Mirante do Sancho sai uma trilha de apenas 270 metros (mas sem cenários mirabolantes em volta).
PELA HISTÓRIA
Outra trilha bem manjada e fácil de seguir leva a alguns dos pontos históricos de Noronha (a caminhada é vendida pelas empresas de turismo locais, mas, acredite, é tão curta e fácil de percorrer que não vale a pena comprar).
O caminho começa com uma subida até o Forte de Nossa Senhora dos Remédios, uma das dez fortificações construídas a partir de 1737, quando Noronha passa a pertencer aos portugueses - até então, a região tinha sido invadida e ocupada por holandeses, franceses e alemães. A área foi quartel e presídio.
Dali, uma pequena caminhada desemboca no “centro” da Vila dos Remédios, onde está a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, de 1772, a segunda parada. Uma curiosidade: não há padre fixo em Noronha. O religioso vem apenas uma vez por mês para casamentos e batizados. Por isso, a construção está sempre fechada.
Nos arredores é possível ver ruínas dos tempos em que Fernando de Noronha foi transformado num (belíssimo) presídio político, em 1938, como a Aldeia dos Sentenciados, prédio para onde eram enviados os presos de mau comportamento e que, posteriormente, virou um presídio feminino.
Também ali está o Palácio São Miguel, casarão de 1947, construído pouco depois de Noronha se transformar em base militar americana, durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, além de servir de referência para a maioria dos endereços comerciais, funciona no prédio a sede administrativa do governo de Pernambuco.
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